A virtude está no meio

A virtude está no meio
novembro 19 09:24 2015 Imprimir Este artigo

Estive analisando os últimos acontecimentos em nossa sociedade e tenho refletido sobre os problemas que estamos passando.

Alguns mais religiosos poderiam dizer que estamos nos fins dos tempos, ou que estamos atravessando algum tipo de provação divina, outros mais esotéricos poderiam levantar a tese do início de uma nova era e que toda transição é marcada por períodos de transformações.

Mas, gosto de pensar em termos mais naturais, ou ao menos refletir mais universalmente, assim podemos nos afastar um pouco dos dogmas e verdades absolutas de cada religião ou filosofia, e assim tentar compreender, em termos práticos o que nos acontece, e assumindo nossa parcela de responsabilidade, podemos tomar uma atitude proativa frente ao quadro que estamos enfrentando, e não ficar somente aguardando a providência Divina.

Faço um pequeno aparte sobre a questão religiosa, pois, acredito que religião não se discute, se acredita e pratica.

Quando digo que não podemos esperar a providência divina, é porque acredito que temos que assumir nossas responsabilidades, pois somente com esta consciência é que podemos aceitar a nossa situação, aprender o que é necessário e agir de forma consciente para modifica-la; pois, todos hão de convir que ela não está das melhores, certo?

Particularmente, aqui no Brasil, viemos de um período de extrema repressão, disciplina e censura, e com a mudança do governo, as transformações sociais e culturais, em nome da liberdade de expressão e da renovação da “democracia”, houve de repente uma abertura política e com isso uma total ruptura com tudo o que fizesse relembrar o antigo regime, pelo menos no campo consciencial coletivo.

Repentinamente, tudo aquilo que era velho se tornou mal, desnecessário, obsoleto ou “reacionário”. A beleza, a “verdade” e a democracia estavam com o que era moderno e revolucionário, era a força e a sabedoria do “jovem”. De repente começou a desprezar e desconsiderar tudo que era velho.

O grande problema dessa mudança “radical”, e o desprezo quase que absoluto pelo passado, é que nossa sociedade se esqueceu que o passado é o futuro que já aconteceu, e que devemos corrigir os erros cometidos, e aprimorar os acertos, nunca devemos desprezar totalmente nosso passado, afinal de contas, somos hoje o resultado de nossas ações e decisões de ontem.

De repente aquela sociedade que vivia “cativa”, cerceada de sua livre expressão, cultural, artística, política e social, vitimada por um enorme controle, censura e disciplina por vezes exacerbada, se vê totalmente livre, quem “não podia nada” agora “pode tudo”.

Em nome da liberdade, desprezaram-se as instituições públicas, mas esquecemos que as instituições existem para nos representar, para agir em nosso nome para o bem de toda a sociedade, e um povo que não respeita suas instituições não está respeitando a si mesmo.

Em nome da liberdade não podíamos mais aceitar opressores e oprimidos, tínhamos que saldar dívidas com os oprimidos, para isso demos direitos aos oprimidos, e lhes demos “armas” para os defenderem, de repente em nome da “liberdade e igualdade” transformamos os oprimidos em opressores, porque esquecemos que para ter direitos devemos respeitar os direitos dos outros, esquecemos que somos todos humanos, e dissemos que uns são “mais humanos” que outros.

Parece que fizemos como aquela criança da historinha, que nunca comeu melado e quando comeu se lambuzou; nós nos lambuzamos…. fomos de um extremo a outro em pouco mais de 30 anos.

Desprezamos completamente tudo que nos remetia ao passado “sombrio” da “ditadura” embasada nos ideais capitalistas opressores, e nos entregamos de corpo e alma ao novo, moderno, livre e igualitário.

Como todo bom “radical”, não percebemos que a grande virtude está no meio e não nos extremos.

Hoje nos deparamos com uma sociedade “liberal” que corre para os braços da disciplina da lei, mas, que em nome dessa mesma liberdade promoveu o desmantelamento das próprias instituições que deveriam executar e fazer cumprir as leis.

Toda disciplina foi desprezada em nome da liberdade, tudo que lembrasse os ideais ditatoriais, ou hierarquia militar foi considerado opressão e extirpado da sociedade como uma praga à democracia e a livre expressão.

Entregamo-nos à ditadura da Lei, como se a existência de uma lei escrita fizesse cessar todos os problemas que causaram a criação dessa lei.

Chegou o momento de parar e refletir antes de darmos os próximos passos.

Temos hoje conhecimento e informação suficiente para decidir o que queremos para nosso futuro, e acho que o modelo atual está em colapso.

Precisamos nos organizar enquanto sociedade e deixar de ser 8 ou 80, para sermos às vezes 8 às vezes 80, e outras vezes, qualquer outro número na infinidade numérica existente entre estes dois extremos.

Precisamos fundamentar nossa sociedade em valores firmes, mas sermos flexíveis para compreender as posições de cada indivíduo, e cada um tem que aprender a respeitar essa individualidade e reconhecer que o seu direito termina onde começa o direito do outro.

Nossa sociedade precisa aprender a se aceitar e a se respeitar mais como seres humanos que somos todos, e menos donos de uma verdade absoluta, para que você esteja certo não é necessário que o outro esteja errado.

Para que haja liberdade e necessário que haja disciplina, para que exista respeito aos direitos é preciso respeitar os direitos e cumprir com seus deveres.

Vamos ser menos EU e mais NÓS nesse momento crítico de transição que estamos enfrentando.

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obrigado11

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Sobre o Autor

Rodrigo Rodrigues Del Papa
Rodrigo Rodrigues Del Papa http://blogdodelpapa.blogspot.com.br/

Bacharel em Direito com ênfase na área Empresarial pela Universidade Vale do Rio Doce em Minas Gerais, atua com gerenciamento de equipes, Gestão de Pessoas, organização de eventos, treinamentos e palestras desde 1995. Foi Professor, Coordenador dos cursos de Direito e Administração, na FACIDER – Faculdade de Colíder em Mato Grosso um dos fundadores do Curso de Direito atuou no corpo docente também da Faculdade de Ciências Sociais em Guarantã do Norte/MT. Personal & Professional Coach com habilitação pela Sociedade Brasileira de Coaching, estudioso do comportamento e das relações humanas.

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