A solidariedade em Segurança do Trabalho escamoteada na Higiene Ocupacional

A solidariedade em Segurança do Trabalho escamoteada na Higiene Ocupacional
dezembro 22 08:58 2015 Imprimir Este artigo

Atualmente tem se dito que a manutenção preditiva, que trata de um conjunto de programas com o sentido de monitorar máquinas e equipamentos em serviço, o objetivo é predizer falhas e detectar mudanças no estado físico que exijam serviços de manutenção, conhecer com certa antecedência necessária para evitar quebras ou provocar avarias em diversos equipamentos.

Em relação ao ser humano não podemos tratar da mesma maneira, sabendo que a falha faz parte da sua natureza, já comprovado por diversas teses, mas neste texto quero adicionar um item muito importante que poderá amenizar a situação de falha quando se fala em SOLIDARIEDADE. A solidariedade colabora para que possamos predizer algumas situações relacionadas com a Segurança do Trabalho. A minha escolha foi a área de Higiene Ocupacional, é uma das áreas que trabalha efetivamente a solidariedade, porém, não se menciona de tal forma.

Temos encarado o acidente de trabalho como uma definição muito racional, a qual é devida, porém, no processo de conscientização deixamos de lado um trabalho relacionado com as percepções do sentir com o trabalhador, isto é, os seus sentimentos próprios e o do próximo também.

Hoje de uma maneira ou outra, tomamos o próximo como sendo um familiar, isto é uma verdade, mas tomando o sentido da palavra, também significa aquele que está em nosso entorno, ou seja, teremos muitos outros, na rua, no shopping, principalmente quando realizamos a nossa atividade laboral. A imprudência pode causar uma lesão, perturbação e até morte de quem a realiza ou até mesmo o grupo de pessoas que se encontram no recinto de trabalho. Desta maneira atingimos o próximo, acidentando-o levemente ou fatalmente.

Acreditamos que a ciência Higiene Ocupacional é uma das mais importantes áreas da Segurança do Trabalho, ligada ao colaborador que exerce uma atividade no mundo corporativo e é a partir desta podemos traçar algo no aspecto no qual cito. Em primeiro lugar quero apresentar as definições que no meu parecer são as mais apropriadas sobre a arte da Higiene Ocupacional e em seguida inicio a relatar a ideia na qual proponho; sobre o sentir na HO no âmbito da Segurança do Trabalho.

Apresentam-se diversos conceitos sobre Higiene Ocupacional, mas creio que, há duas que deixam explícito objetivo desta ciência que nada mais é uma arte também, são estas:

Segundo a American Industrial Hygiene Association (AIHA – Associação Americana de Higiene Industrial, 2012), é a ciência e arte dedicadas ao reconhecimento, avaliação, prevenção e controle dos fatores ambientais, tensões emanadas ou provocadas pelo local de trabalho que podem ocasionar enfermidades, prejudicar a saúde e o bem-estar ou desconforto significativo entre os trabalhadores ou os cidadãos da comunidade.

Segundo o National Safety Council (NSC – Conselho Nacional de Segurança, 2012), – USA, é a ciência e arte devotadas à antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos fatores ou sobrecargas ambientais, originadas nos locais de trabalho que podem causar doenças, prejudicando à saúde e o bem-estar ou gerando considerável desconforto e ineficiência entre trabalhadores ou cidadãos da comunidade.
A maioria das definições envolvem os seguintes termos:

Antecipação,
Reconhecimento,
Avaliação,
Controle.
São termos importantes que regem a disciplina desta ciência, com tal característica, podemos dar um atributo subjetivo e ou abstrata e nomear a soma dos quatro atributos como solidariedade (antecipar + reconhecimento + avaliação + controle), justifico desta forma pelo simples motivo que: solidariedade tem os seguintes significados, conforme o dicionário Michaelis:

No âmbito do Direito: Compromisso pelo qual as pessoas se obrigam umas pelas outras e cada uma delas por todas.
No campo da Sociologia Condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora.
Mutualidade de interesses e deveres.
Estado ou condição de duas ou mais pessoas que repartem entre si igualmente as responsabilidades de uma ação, empresa ou de um negócio, respondendo todas por uma e cada uma por todas.

Conforme as definições acima, tudo está no objetivo e relacionado com a saúde e o bem estar dos colaboradores de uma corporação. Prosseguindo as definições, temos:

a) Para antecipar um problema temos que minimizar os efeitos preventivos na atividade laboral exercida pelo colaborador. Para concretizar estes procedimentos temos que obrigatoriamente de nos colocar no lugar desta pessoa e assim dimensionamos a situação vivida num contexto técnico e humano. O fato de ignorar este momento, em breve se torna um problema que provocará a necessidade de se encontrar uma solução, exigindo recursos humanos e materiais, de forma desnecessária. Para entender o pensar de qualquer profissional, vamos utilizar um conceito que: o “homem se difere dos demais animais, somente apenas pela compreensão”. Ressalto que as nossas experiências vivenciadas tanto na parte técnica e humana, friso que o ser humano é dotado de razão e sentimentos, estes, colaboram para dar uma dimensão a esta antecipação no processo que trabalham as pessoas pertinentes ao processo laboral, desta maneira, evitamos que elas possam sofrer menos desgastes de forças e suas emoções. Não podemos olvidar que as corporações produzem produtos com pessoas para pessoas, neste sistema de relacionamento temos uma ordem diretamente vinculadas com saúde e bem estar em ambas às partes, mais conhecida como uma relação de fornecedor e cliente. Para atingir resultados, cujo objetivo é a satisfação plena, de maneira concreta e humana, a solidariedade se faz imperiosa para ambas as situações: concretamente porque está vinculado a um resultado, tendo como consequência a necessidade de atingir uma receita para prosseguir no mercado consumidor e humano, com o fim de ter fidelidade com clientes que adquirem o produto.

b) Reconhecimento é uma ação de averiguar, examinar, confessar e averiguar. As experiências e o conhecimento específico adquirido, de uma maneira genérica, podemos dizer que: “quem percorre um trecho de estrada tem condições de apresentar notícias daquele caminho”, ÂNGELIS, J. & FRANCO, D. Este procedimento visa detectar RAZÕES, CAUSAS ambientais vinculadas as atividades laborais com características específicas (insumos, etapas, subprodutos, produtos finais, rejeitos) e entender as propriedades de seus efeitos no organismo dos colaboradores como também do meio ambiente. Quando se faz o reconhecimento de uma ação em higiene ocupacional, se faz um levantamento primário qualitativo dos riscos ocupacionais, exigindo um conhecimento profundo de processos fabris, operações com matérias-primas utilizadas na fabricação de subprodutos ou produtos acabados. Na análise dos diferentes processos consegue-se levantar os tipos de riscos; físico, biológico, ergonômico, químico, que possam causar danos a saúde do colaborador possibilitando estimar o grau do risco. Nesta apuração estamos sendo solidários pelo fato de preservar a saúde e bem estar do trabalhador, porque o PROFISSIONAL de segurança do trabalho oferece os seus conhecimentos, sua saúde para proporcionar ao colaborador da empresa uma qualidade de vida dentro da empresa, na qual, consiga desempenhar sua função sem que a produtividade seja comprometida, caso contrário, a situação da organização abre uma brecha para que a concorrência expanda o seu território. Esta atitude quanto compreendida e posta em prática com frequência é uma ação que se transforma em hábito, que se incorpora à natureza, à personalidade de cada um. (ÂNGELIS,J &FRANCO, D – ALERTA).

c) Avaliação é uma forma de quantificar a extensão da exposição dos trabalhadores aos fatores ambientais. Nesta fase é importante a credibilidade e crença nas experiências e conhecimento adquirido e a ser conquistado, para estimar a real dimensão das inúmeras ocorrências, desta forma, pode-se colaborar com menos desgastes de forças e emoções também. A experiência é rota que cada qual deverá vencer mesmo que a grande esforço. (ÂNGELIS, J & FRANCO, D – ALERTA). A conquista da experiência se faz mister tanto pelo que está submetido a fatores de riscos ambientais como aquele que está vinculado diretamente ao controle e avaliação dos fatores de risco. Estas fases de mensuramento das informações obtidas para priorizar o monitoramento e o controle ambiental são de suma importância, porque é tocante a vida das pessoas. A avaliação bem elaborada e executada por ambas as partes, apura a percepção dos envolvidos, que constataram a necessidade da atenção para evitar os problemas ou resolvê-los, requerendo, além do conhecimento técnico, o apoio e amizade, sem chamar a devida atenção, porque hoje a parte comportamental do ser humano anda enfermiça, com carência destes fatores, agravando as situações, as vezes, gerando situações desnecessárias, mas devem ser tratadas com urgência, os grandes desvios da fraternidade. Esta questão assume tão grave proporção na solicitação de um pelo outro, quando se exige, desconsiderando-se que somos todos iguais, desta maneira acabamos impedindo que uma relação livre, sem vinculação servil, poderá gerar participação, criatividade, ter uma ação solidária a favor da vida, em certos casos, avaliada a ação da necessidade de uma proteção coletiva, a alta gestão, por motivos de custos, não dá a devida importância para aquisição do equipamento de proteção coletiva, em certos casos prefere pagar uma multa ao de implementar o procedimento apontando, desfavorecendo o grupo de trabalho, que na realidade, não deixam de ser os próximos, tão necessitados como os gestores. Este tipo de ação gera uma vinculação servil, onde o grupo é obrigado a trabalhar de forma inadequada, fortalecendo os desvios da fraternidade, tombando-se até em delíquios morais, comprometendo além do caráter multidisciplinar da higiene do trabalho, que envolve as medidas advindas da engenharia como também de estudos médicos do trabalhador.

d) Controle SOMENTE podemos dizer que há quando há registros devidamente identificados das estratégias e ações adotadas para solucionar determinadas situações problema, mais conhecidos como riscos, ou senão minimizá-los até poder neutralizá-los ou não, com o objetivo de manter o bem estar, a saúde do trabalhador em questão. A situação de controle tem uma hierarquia e deve seguir conforme mencionamos a seguir:

produto e processo, aqui falamos de substituição, manutenção e modificação entre: matéria prima, produto e equipamento.
Cada etapa desta é importante, porque temos que ter em conta que: o fator tempo e ter os recursos apropriados para desenvolvê-las nos permitem aclimatar um trabalho de solidariedade, menciono que pelo caminho nem todos estarão com disponibilidade porque os “desocupados” dirão que não possuem de tempo para aclimatar-se nesta atividade, sendo que na real, vivem extenuados pela inutilidade e pessimismo.

Bibliografia

Peixoto, N. H – Higiene Ocupacional, USFM CTISM, 2012.

ÂNGELIS, J & FRANCO, D – ALERTA, EDITORA ALVORADA 1982, SALVADOR, BA, BR. ( O imperativo da vigilância constitui método preventivo eficiente contra males inumeráveis).

MORIN, S (2007) O Trabalho e Seus Sentidos, Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, BR.

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